3º Ano do Ensino Médio - Conteúdos

 2º BIMESTRE

DESDOBRAMENTOS DOS ATENTADOS TERRORISTAS DE 11 DE SETEMBRO DE 2001

Desde os atentados do dia 11 de setembro de 2001 nos Estados Unidos, o mundo vem sentindo as consequências destas ações. Os atentados não geraram mudanças no ordenamento mundial, como alguns tentam defender, mas sim transformações substantivas na condução da política doméstica e externa dos EUA.



"Bush parece cair no esquecimento", diz Zahreddine



Em todo mundo os desdobramentos foram sentidos em intensidades distintas, sendo que em determinadas regiões, tais repercussões foram mais profundas. Este foi o caso do Oriente Médio, região extremamente importante para a geopolítica estadunidense, que sofreu várias intervenções militares dos EUA com o pretexto de combater o terrorismo internacional.
Os ataques terroristas de 11 de setembro ocorreram no início do mandato do presidente republicano George W. Bush, que conduziu uma política externa extremamente agressiva como resposta à agressão, levando a cabo duas grandes intervenções militares (Afeganistão em 2001, e Iraque em 2003); a utilização da prisão de Guantánamo (em Cuba) para aprisionar suspeitos de terrorismo sem direito a defesa, bem como a criação da Doutrina Bush, que defendia o uso da Guerra Preventiva.
Como a rede terrorista al Qaeda estava envolvida nos ataques, a atenção do governo estadunidense se voltou para o mundo muçulmano e para o Oriente Médio. A “luta contra o terrorismo”, liderada pelo presidente estadunidense teve como foco os principais desafetos do governo americano, o que foi denominado por ele como o “Eixo do Mal” formado por Iraque, Irã e Coréia do Norte. A islamofobia cresceu enormemente nos Estados Unidos e na Europa, o que gerou desdobramentos negativos para as relações entre países árabes, islâmicos e os EUA.
A Invasão do Afeganistão ocorreu em função da recusa do grupo que estava no poder naquele país (os Talibãs), em entregar Osama Bin Laden, considerado o mentor dos Ataques de 11 de setembro. Em aproximadamente um mês após os atentados os Estados Unidos empreenderam uma ação militar contra aquele país, que culminou com a derrubada do governo Talibã, e a criação de uma base avançada estadunidense na fronteira com o Irã, outro Estado contrário à política estadunidense na região.
Já a Segunda Guerra do Golfo, em 2003, foi uma ação conjunta dos Estados Unidos e do Reino Unido, que resultou na invasão do Iraque, acusado de manter armas de destruição em massa que poderiam ser usadas por grupos terroristas ou até mesmo pelo presidente Saddan Hussein.
Esta segunda intervenção no Oriente Médio demonstrou claramente que a utilização da “Luta contra o terrorismo” no caso iraquiano, era mais um pretexto para uma política de intervenção regional, e para fins eleitorais, do que pela busca por armas de destruição em massa ou terroristas. Depois de exaustivas discussões no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas, e após inspeções de equipes enviadas pela ONU ao Iraque, lideradas por Hans Blix, o mesmo declarou que não era possível determinar que o Iraque possuía armas de destruição em massa, o que evitaria uma ação militar contra aquele país.
Mesmo assim, a chancelaria estadunidense tentou aprovar uma resolução no Conselho de Segurança que autorizasse uma intervenção militar no Iraque, o que foi rejeitada por China, Rússia e França, que sinalizaram vetar a resolução. Com a recusa de três membros permanentes do Conselho de Segurança, os EUA decidiram agir sem o aval das Nações Unidas, e com o apoio do Reino Unido e de algumas outras nações, empreenderam uma ação armada contra o Iraque.
 Chamada de "choque de civilizações", essa tese foi levantada e defendida pelo cientista político norte-americano Samuel Phillips Huntington em 1993, num artigo publicado na conceituada revista "Foreign Affairs". Num momento de otimismo do liberalismo, com o fim da União Soviética e o desmantelamento dos principais regimes socialistas e de consolidação da absoluta superioridade militar e econômica dos Estados Unidos, Huntington enxergou um horizonte pessimista, no qual haveria um declínio da hegemonia ocidental e a religião assumiria um papel até então reservado às grandes ideologias.

Para os defensores da ideia do confronto entre civilizações, o terrorismo internacional associado ao Islamismo que surgiu no início do século 21 serviu para confirmar a análise de Huntington, que foi considerada premonitória por ter sido escrita quase que uma década antes. Mas muitos estudiosos discordam dessa ideia. Os críticos da tese do "choque de civilizações" argumentam que há muitas imprecisões e contradições nas ideias de Huntington, a começar que não é tão simples assim definir o que são civilizações. Nas próximas páginas, descubra o que dizem os defensores e os críticos da polêmica tese do "choque de civilizações".

Introdução sobre o choque de civilizações

A religião tem um papel preponderante nos principais conflitos do mundo contemporâneo, mais importante do que as disputas entre os grandes sistemas político-ideológicos. Em vez do embate entre democracia liberal e comunismo, que marcou boa parte do século 20 durante a Guerra Fria, emerge um confronto entre os sistemas sociais e culturais baseados no Islamismo e os fundamentados nas religiões judaico-cristãs. Essa ideia faz parte de uma polêmica tese que ganhou força no começo do novo milênio em função dos ataques terroristas do 11 de setembro de 2001.

Quem foi Samuel Huntington

Nascido em Nova York, em 1927, Samuel Philips Huntington graduou-se pela Universidade de Yale, fez mestrado na Universidade de Chicago e obteve seu doutorado pela Universidade de Harvard. Especialista em política americana e internacional, relações internacionais e nas transformações modernizadoras da sociedade, Huntington trabalhou como consultor de várias agências governamentais norte-americanas, foi diretor do Instituto para Estudos de Guerra e Paz da Universidade de Columbia e diretor de vários centros de estudos da Universidade de Harvard. Suas pesquisas resultaram em vários livros sobre estratégias de segurança nacional, organizações transnacionais, governabilidade nas democracias, processos de democratização e comparações entre os governos dos Estados Unidos e da União Soviética, entre outros assuntos. Huntington morreu em 2008.

Huntington e a profecia do confronto entre civilizações

O conflito entre as grandes civilizações mundiais tomou o lugar dos confrontos entre nações ou ideologias no cenário das relações internacionais, segundo artigo escrito pelo cientista político Samuel Philips Huntington publicado na revista "Foreign Affairs" em 1993 (e depois desenvolvido no livro "O Choque de Civilizações e a Recomposição da Ordem Mundial", de 1996).

Cruzadas© istockphoto.com /Duncan1890
Segundo Huntington, "a História da humanidade é a História das civilizações". Desde a civilização egípcia da Antiguidade até a europeia dos tempos contemporâneos, são as civilizações, concebidas como entidades culturais, que proporcionam as identificações mais amplas para os povos. As civilizações, no entanto, não têm limites estáticos já que os povos redefinem constantemente suas identidades culturais alterando as fronteiras de cada civilização, e apesar de durarem muito tempo, elas são mortais. Assim, ao longo da História, surgiram, se desenvolveram e morreram as civilizações mesopotâmica, egípcia, cretense, clássica (greco-romana), bizantina, mesoamericana e andina. Atualmente, existiriam as civilizações ocidental, islâmica, chinesa, japonesa, indiana, latino-americana e, provavelmente, uma africana abaixo do deserto do Saara.

Huntington destaca que, dentre todos os elementos culturais que definem uma civilização - como língua, valores morais, costumes e estilo de vida, instituições e uma auto-identificação subjetiva das pessoas - é a religião o mais importante deles. Tanto que as quatro maiores religiões mundiais - Cristianismo, Islamismo, Confucionismo e Hinduísmo - constituem, para ele, os alicerces das principais civilizações contemporâneas.

1º BIMESTRE

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 1
REGIONALIZAÇÃO DO ESPAÇO MUNDIAL

A divisão por continentes definiu ocupações territoriais políticos administrativas da seguinte forma; América, África, Europa, Ásia, Oceania e Antártida.
O critério de regionalização por continentes é questionável, pois o conceito de continente refere-se a grandes extensões de terras emersas cercadas por oceanos e mares, enquanto, tradicionalmente, os continentes correspondem às seguintes divisões: América, África, Europa, Ásia, Oceania e Antártida. Vale ressaltar também que o parâmetro normalmente utilizado para definir continente considera extensões de terras maiores do que a Groenlândia, a maior ilha do planeta, pertencente à Dinamarca, com 2 166 086 km2. Como exemplo, inicial você O conceito de continente conflita com a forma como tradicionalmente eles se dividem, já que a Europa geograficamente é uma península de um continente denominado Eurásia, e só é considerada continente em virtude de ter sido o berço da civilização ocidental. Já a Oceania é um continente formado por uma sucessão de arquipélagos, e não uma grande extensão de terras cercada por mares ou oceanos. Tal regionalização não retrata aspectos socioeconômicos (renda, industrialização, tecnologia, analfabetismo etc.), políticos (regime político, por exemplo), culturais (línguas, religiões etc.) ou naturais (climas, biomas etc.) que nos permitiriam visualizar a dinâmica da natureza ou das sociedades no espaço geográfico.
Podemos conceitualizar diferentes formas de regionalização do mundo, como por exemplos: a regionalização característica da Guerra Fria, na qual o mundo é dividido em países capitalistas e socialistas; ou a divisão norte rico e sul pobre, ou inúmeras outras possibilidades.
De forma geral, para a regionalização do espaço mundial utilizam-se critérios físicos ou naturais (climas, vegetação etc.), culturais (línguas, religiões etc.) econômicos (industrialização, tecnologia, PIB per capita etc.), sociais e populacionais (analfabetismo, mortalidade infantil, expectativa de vida, natalidade etc.), indicadores de desenvolvimento humano (IDH), políticos (regimes políticos etc.), entre outros. Regionalizar significa dividir o espaço terrestre ou parcelas dele (tanto o espaço mundial como um país, estado, cidade etc.) em regiões ou partes que devem possuir características comuns e que podem, portanto, ser identificadas.
Os países do mundo podem ser classificados e agrupados em função de sua Renda Nacional Bruta per capita. Nessa regionalização, adotada pelo Banco Mundial, são representadas as economias classificadas como “baixo rendimento” (países comumente chamados de “subdesenvolvidos”) e “médio rendimento” (subdivididas em “médio-alto rendimento” e “médio-baixo rendimento”), além das economias de “alto rendimento” (que, em sua maior parte, coincidem com os “países desenvolvidos”). Essa classificação é largamente empregada para propósitos operacionais e analíticos, dada sua simplicidade e aparente consistência.
Podemos observar a concentração de países de alta renda no hemisfério Norte com aspectos históricos, como a presença dos colonizadores de países europeus – as metrópoles coloniais. Podemos citar o desenvolvimento econômico e o poder político dos Estados Unidos e sua influência na Europa e no Japão.
As formas mais conhecidas de distribuição de riqueza no planeta com base no processo de concentração de renda estabeleceu ao longo do processo histórico e que se cristalizou a partir da segunda metade do século XX um critério utilizado em sua confecção e mapas que considera a divisão do mundo entre países do “Norte” (países ricos, desenvolvidos) e países do “Sul” (países pobres, em desenvolvimento). Entre os parâmetros utilizados para tal classificação, deve-se analisar a abrangência e a influência dos processos coloniais responsáveis por impor uma desigual divisão social do trabalho e da produção a uma parcela do território mundial. Nesse sentido, sugerimos que sejam analisadas as condições de pobreza da América Latina, da África e de parte da porção asiática. A formação de blocos econômicos regionais é outra regionalização possível, pois, além de estar relacionada ao processo de globalização, permite observar como grupos de países efetuam trocas comerciais e econômicas exercendo graus de influência uns sobre os outros. Por último, entre outras regionalizações possíveis, a que retrata o poderio militar dos Estados Unidos também é interessante, porque revela a distribuição de poder no globo: traz a lume a influência e as vantagens geopolíticas desse país perante outras potências e Estados e coloca em evidência os desafios de um mundo chamado por muitos de unipolar.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 2
AS REGIÕES DA ONU

O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é calculado com base nos seguintes indicadores: o PIB per capita, em dólares PPC, ou seja, corrigido pela paridade do poder de compra, de acordo com a moeda de cada país; escolaridade, avaliada pelo índice de analfabetismo e pela taxa de matrícula em todos os níveis de ensino; longevidade, na qual são utilizados os números relativos à expectativa de vida ao nascer. Entre as principais críticas dirigidas ao IDH, podem ser destacadas: o fato de não levar em conta as formas de distribuição de renda e as diferenças culturais entre as nações. Esse último aspecto, por exemplo, abrange particularidades de comportamento quanto ao consumo e distintos valores que cada sociedade atribui para questões relacionadas à educação e formas de apropriação dos resultados da produção. Desse modo, apesar de ser um importante indicador, o IDH não contabiliza todos os aspectos do desenvolvimento e não aufere a “felicidade” das pessoas, nem indica “o melhor lugar do mundo para se viver”, dado que cada indivíduo e sociedade têm representações distintas sobre o que seja o “bem-estar”. A nova categorização de países de IDH muito elevado reforça as diferenças entre os países e demonstra que o que se entende por qualidade de vida é relativo.
Observamos mudanças na classificação do IDH – que agora agrupa os países em quatro categorias de desenvolvimento humano (muito elevado, elevado, médio e baixo). Neste sentido, temos de perceber como qualquer critério de classificação (e regionalização) é mutável e responde a interesses diversos em cada momento histórico. Alguns países melhoraram sua classificação no IDH ao longo do tempo ao observar a porcentagem de países com IDH médio, que caiu de 48% em 2005 para 41% em 2007, elevando principalmente a porcentagem de países com IDH elevado (e muito elevado): de 40% para 46%. Vale destacar que o número de países com IDH baixo aumentou de 12% para 13%, o que significa que, apesar de melhora da qualidade de vida em alguns países, outros sofreram retrocesso, piorando as condições de vida da população. Além disso, com a criação da categoria “muito elevado” em 2007, fica mais fácil perceber que a maioria dos países tem IDH médio e baixo (54%) muito distante do grupo de países cujas condições de vida da população poderiam ser consideradas mais adequadas (21%)

 Esses dados auxiliam na reflexão sobre a acentuação das desigualdades entre os grupos de países.
• Países que apresentaram elevação do IDH: Islândia, Noruega, Austrália, Canadá, Irlanda, Malta, Barein, Brasil, Dominica, Armênia, Líbano, Nigéria e Serra Leoa.
• Países que apresentaram diminuição: Togo, Gâmbia, Senegal e Níger.
Quanto a esse grupo de países, é importante que você amplie a discussão com os alunos de modo a levá-los a perceber que:
• as cinco primeiras posições do IDH 2007 continuam a ser ocupadas pelos mesmos países, ainda que em colocações distintas das de 2005;
• todos os países que, em 2007, estão classificados com IDH médio, elevado ou muito elevado tiveram crescimento.
• dos países com IDH baixo, apenas Serra Leoa teve crescimento.

Quanto à mudança de categorias, vale apontar que:
• Malta é o único país de IDH muito elevado da tabela que recebeu essa classificação pela melhoria significativa de seu IDH (de 0,878 em 2005 a 0,902 em 2007);
• os demais países de IDH muito elevado presentes na tabela (Noruega, Austrália, Islândia, Canadá, Irlanda) apenas foram reclassificados, pois seus IDH de 2005 já estavam próximos dos índices registrados em 2007;
• Dominica e Líbano subiram, passando do IDH médio para o elevado;
• Nigéria subiu, passando do IDH baixo para médio;
• Togo e Gâmbia desceram na classificação, passando do IDH médio para o baixo;
• Embora Serra Leoa tenha apresentado melhoria em seu IDH entre 2005 e 2007, isso não significou mudança de categoria.
Podemos estabelecer hipóteses sobre a diferença na qualidade de vida entre os países de IDH elevado e muito elevado, apresentando exemplos como o do Brasil e o da Argentina, economias emergentes com IDH elevado, mas que apresentam realidades muito distintas das de países como a Noruega e a Austrália, que apresentam IDH acima de 0,900 e passaram a ser considerados países de IDH muito elevado.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 3
O CONFLITO NORTE E SUL

QUESTÕES AMBIENTAIS MUNDIAIS
De maneira geral, em relação à linha divisória norte-sul, nota-se que grande parte dos países com as mais elevadas emissões de CO2 em toneladas por habitante está concentrada no Norte.
O conflito em questão deve-se, em grande parte, à não assinatura, pelos Estados Unidos, do Protocolo de Kyoto – tratado internacional sobre redução de emissão de gases do efeito estufa que conta com a adesão de várias nações desenvolvidas. Até 2008, ocorreram negociações para a inclusão de países em desenvolvimento, como China e Índia, neste Protocolo ou nas metas previstas de redução dos “gases de efeito estufa”, os Estados Unidos não o havia assinado.

FLUXOS MIGRATÓRIOS INTERNACIONAIS
Os fluxos migratórios internacionais e a parcela de imigrantes na população total dos países no final do século XX. Embora apresente a existência de fluxos migratórios entre países e regiões do Sul (como as migrações do Subcontinente indiano e do Magreb para o Oriente Médio), nota-se que os grandes fluxos migratórios ocorrem na direção sul-norte, sendo os Estados Unidos e a Europa as principais áreas de atração de imigrantes. a situação atual dos imigrantes tem se agravado de maneira assustadora. O grande fluxo de imigrantes procedentes dos países do Sul para os países da União Europeia gera protestos entre parcelas significativas das populações receptoras.
Sob a alegação de que o imigrante subtrai postos de trabalho da população local, partidos políticos conservadores europeus, alguns de extrema direita, têm se apoiado nesse argumento durante disputas eleitorais, sensibilizando a população e, assim, contribuído para a exacerbação da xenofobia (aversão a estrangeiros) que tanto marcou a história recente de alguns países europeus. Além de serem vítimas de preconceitos e discriminações, os imigrantes enfrentam hostilidades sistemáticas e, principalmente no caso dos imigrantes clandestinos, o desemprego ou a ocupação de postos de trabalho mal remunerados somados às dificuldades de uma legislação mais rígida. Tais dificuldades de entrada de imigrantes na Europa de um lado, retrata situações características do mundo globalizado e, de outro, atitudes xenofóbicas( práticas rascistas retratando o ódio a estrangeiros) que contrastam com essa ideia.

SITUAÇÃO DE APRENDIZAGEM 4
GLOBALIZAÇÃO E REGIONALIZAÇÃO ECONÔMICA

Aspectos da globalização e regionalização econômica
• Na América, apenas Cuba não está polarizada pelos Estados Unidos.
• Na África, percebe-se a presença de aliados da União Soviética e muitos países não alinhados a nenhuma das superpotências.
• Europa está fortemente dividida entre a influência dos EUA e da URSS consolidando a ideia de “cortina de ferro”.
• A Ásia apresenta forte influência da URSS, ainda que seja marcante a presença norte-americana no Sudeste Asiático e Japão. Os alunos poderão subdividir o continente asiático em Oriente Médio, Ásia Central e Sudeste Asiático.
• Na Oceania, é forte a influência norte-americana.
A ampliação da área de influência em países da Europa Oriental e Ásia. Além disso, surgiram países “hostis” aos Estados Unidos, como a Venezuela, o Iraque e o Zimbábue. Isso reflete a permanência de conflitos regionais, mesmo com o fim da bipolaridade. Enfim, apesar da ampliação da influência militar dos EUA, existem países com uma dinâmica política e/ou econômica capaz de realizar uma influência regional.
Os termos bipolaridade e multipolaridade se contrapõem e expressam diferentes relações de força no cenário das relações internacionais. Conforme retratam os mapas, a partir da década de 1990, com o fim do sistema de polaridades definidas ou da ordem mundial bipolar da Guerra Fria, ocorreu o aparecimento de um sistema de polaridades indefinidas ou, em outras palavras, de uma ordem mundial multipolar, caracterizada pela existência de vários polos ou centros mundiais de poder econômico e político. Em lugar do antigo confronto ideológico, militar e econômico entre os blocos capitalista e socialista capitaneados pelas duas superpotências rivais da “velha ordem mundial” – Estados Unidos e ex-URSS. Há duas décadas assistimos a uma recomposição das alianças militares e econômicas entre grupos de países (mapa da página 30 do Caderno do Aluno). No mundo pós-Guerra Fria, apesar da existência de três principais centros de poder econômico (Estados Unidos, União Europeia e Japão), a chamada tríade do capitalismo mundial, também nota-se a afirmação de potências econômicas e políticas regionais, como Brasil, África do Sul e China (esta última considerada por muitos como a grande potência do século XXI), que poderão, num futuro não muito distante, contribuir para a afirmação de uma ordem mundial multipolar com a maior participação de países do Sul na tomada e na influência de decisões internacionais.
Os termos monopolar – ou seja, país, entidade ou empresa que detém o monopólio econômico no âmbito da produção e dos mercados – e unipolar – conceito que identifica um único polo de poder mundial – são empregados por muitos observadores e estudiosos para denominar o cenário internacional entreaberto com o fim da Guerra Fria. Consideram que a Nova Ordem Mundial é monopolar e unipolar, pois destacam que os Estados Unidos ainda são o único país a exercer o domínio econômico e militar no panorama do mundo atual, ou seja, sem a presença de um rival ou oponente capaz de contrabalançar ou equilibrar seu poderio nesse sentido. Do ponto de vista militar, a Rússia, por exemplo, a principal herdeira da extinta União Soviética e hoje pertencente à CEI, ingressou numa profunda crise econômica a partir do início da década de 1990, fato responsável, entre outros, pelo enfraquecimento do seu poderio militar. Sugere-se também analisar com os alunos o fato de que, para muitos analistas, a China vem despontando como país passível de ameaçar a supremacia americana. Porém é fundamental ressaltar que, no âmbito da economia, o denominado “país fábrica” não possui domínio científico-tecnológico que ameace a posição emblemática dos EUA no mundo, e a sua produção depende ainda do enorme mercado consumidor norte-americano, já que as condições sociais da China, apesar de terem melhorado consideravelmente ainda não correspondem a um mercado consumidor autossustentado. Além disso, o país não possui tecnologia e aparato militares suficientemente adequados para fazer frente aos EUA. Assim, em praticamente todo o globo, a superpotência da América do Norte é o único país capaz de sustentar ou realizar intervenções militares em conflitos mundiais importantes, dada a presença de suas forças armadas no mundo.
A globalização promoveu uma maior integração do mercado mundial diante dos avanços tecnológicos nos transportes e nas telecomunicações, processo que ganhou intensidade na década de 1990, em parte por causa da abertura de novos mercados, como os antigos países do bloco socialista que abriram suas economias. Ao lado desse processo, a globalização também acentuou a regionalização ou a fragmentação da economia mundial, pois, desde o final da década de 1980 e início da de 1990, fortaleceu-se a tendência de formação de tratados econômicos regionais entre países, ou seja, a constituição de blocos econômicos. Diante dos quadros competitivos que a globalização impõe, sobretudo a partir dos períodos indicados, diversos países passaram a se reunir ou se agrupar em torno de interesses econômicos comuns com o objetivo de facilitar e expandir suas trocas comerciais para se fortalecerem nesse contexto. Isso significa dizer que, embora a formação de tratados econômicos regionais entre países já se manifestasse antes do final da década de 1980 e início dos anos 1990, a partir desse período verificou-se o fortalecimento de tal processo.
O mapeamento que pode ser feito na economia global atual apresenta novas características, uma delas é o uso de computadores e internet no mundo, o qual retrata a situação dos países do mundo quanto ao número de internautas por 100 habitantes, em 2005. De maneira geral, observa-se que as populações dos países do Norte possuem maior acesso à internet, em contraste com às dos países do Sul, que apresentam heterogeneidade quanto ao assunto em foco. Comparando com os mapas anteriores, é possível estabelecer a relação entre renda e acesso à tecnologia.
Globalização e formação de blocos econômicos são processos relacionados. A formação de blocos econômicos é uma condição essencial para o avanço da globalização, baseada principalmente na expansão e fortalecimento do mercado global e na competitividade comercial entre os países ou grupos deles que se associam para adquirir maior inserção no mercado competitivo global.
A União Europeia, além de ser um mercado comum, também é uma união econômica e monetária, com programas sociais e de desenvolvimento comuns, permitindo a livre circulação de pessoas, diferindo, por exemplo, do Nafta e do Mercosul.